Referência bibliográfica: BIGNOTTO, Newton. Apresentação. In: BIGNOTTO, Newton (org.). Matrizes do Republicanismo. Belo
Horizonte: UFMG, 2013.
Autoria da Ficha de leitura: Paulo Flavio de Andrade
Data: 07/08/14
Obs.: No transcorrer da ficha de leitura existem anotações escritas em
azul e entre colchetes, tal distinção gráfica serve para indicar que são
anotações e observações livres, enquanto todo o restante se presa dizer apenas
o que o autor escreveu.
P.07
- O retorno à tradição republicana foi protagonizado por Hannah Arendt [embora não há informações de quem escreveu a orelha do livro, é interessante observar que na orelha do livro tal protagonismo é imputado à Hannah Arendt e Claude Lefort]. Em meio ao debate dominado pelo marxismo e pelo liberalismo, Arendt chama para a roda o republicanismo.
- O retorno ao republicanismo reintroduz temas da teoria política clássica como natureza da liberdade, cidadania ativa, participação [participação política?] dentre outras problemáticas.
- A retomada do republicanismo na forma do republicanismo contemporâneo suscitou três críticas:
- 1ª Crítica: Liderada por Isaiah Berlin e Benjamin Constant, a primeira e mais contundente crítica ataca a concepção de liberdade política do republicanismo contemporâneo, pois tal concepção não encontra amparo no conceito moderno de liberdade. A liberdade moderna é uma liberdade formal, preocupada com os direitos dos indivíduos.
P.08
- Berlin sugere uma divisão em negativa e positiva da liberdade, a primeira se identifica com a liberdade moderna, formal, dos direitos dos indivíduos, a segunda se identifica com a liberdade dos antigos, ligada a cidadania ativa e a participação direta na cena pública.
- 2ª Crítica: Derivada da primeira, a segunda crítica aponta para a importância que a virtude possui no republicanismo, virtude essa que não encontra amparo nas sociedades industriais de massa. Sugere tais críticos que para o “(…) republicanismo contemporâneo, é inócuo imaginar virtudes que exigem demais dos membros do corpo político.” (BIGNOTTO, 2013, p.08).
- 3ª Crítica: A terceira crítica aponta para a relação entre economia e política na contemporaneidade, pois para o republicanismo as questões econômicas são supra-sumidas pela política, enquanto na contemporaneidade ocorre exatamente o inverso.
P.09
- “Todas essas críticas têm em comum o fato de acusarem os pensadores republicanos de defenderem uma concepção da vida política por demais exigente para sociedades de massa, voltadas para a afirmação dos interesses privados (…)”. (BIGNOTTO, 2013, p.09, negrito meu)
- “(…) o republicanismo se caracteriza como uma corrente de pensamento que concede grande valor à política e à vida ativa”. (BIGNOTTO, 2013, p.09, negrito meu)
- [o termo vida ativa sugere o conceito de vida ativa em Arendt, a qual compreende a vida dedicada a ação, na companhia de homens livres e plurais, no espaço público.]
- Embora tais criticas possuem algum respaldo, Arendt, em 1950, apontou os perigos de uma sociedade politicamente apática na forma dos governos totalitários.
- Algumas das críticas contra o republicanismo é fruto de uma má compreensão desta tradição republicana.
P.10
- Bignotto aponta que não tem intenção de voltar os olhos, de forma nostálgica, para o republicanismo, antes pretende dispor da tradição republicana para, à luz das novas tensões e problemas, pensar a própria época.
- O objeto central do livro é a tradição do republicanismo no transcorrer dos cinco principais momentos: a) da Antiguidade; b) do Renascimento italiano; c) inglesa do século XVII; d) francesa dos séculos XVIII e XIX; e e) americana dos séculos XVIII e XIX.
P.11
- Embora aborde o republicanismo a partir das suas cinco principais matrizes, este livro não tem a intenção de descrever a história do republicanismo. Adverte o Bignotto: “(…). O que almejamos é mostrar ao leitor os conceitos fundamentais que construíram o que chamamos hoje de tradição republicana”. (BIGNOTTO, 2013, p.11)
- Ainda que exista uma relação íntima entra as diferentes matrizes e pensadores do republicanismo, partilhando da mesma linguagem e conceitos, é preciso perceber que cada um, a seu modo, pensou o republicanismo à luz das tensões e fraturas de seu tempo.
P.12
- [Num primeiro momento é possível afirmar que três são os problemas centrais do republicanismo: 1ª Liberdade política; 2ª Vida Ativa/Participação política; 3ª bem comum.]
Acompanhando a leitura desta Introdução e, indo ao encontro das afirmações realizadas na ficha de leitura do amigo Andrade..., conquanto, entendo que o problema central desta introdução, esta relacionada a ideia de "virtude". Na relação e na incompatibilidade da virtude de um povo com o modelo político vigente. É sobre esta problemática central que se apresentam as variáveis da liberdade política, da vida ativa/participação política e do bem comum. Seja em quais for a propostas teóricas de organização do Estado, nos modelos, marxista, liberal ou republicana, a harmonia social só acontecerá se o regime político e de governo for compatível com a virtude e valores democráticos de um povo.
ResponderExcluirWilsoney Gonçalvez
Certo, Paulo: acho que e' conveniente aquela nota explicativa, tipo: liberdade negativa e' aquela em que os outros NAO tem o direito de nos constranger, obrigar a qualquer coisa, ou nos tirar algo. Estah ligado ao conceito de direito negativo (proprio dos direitos individuais, ou direitos civis)
ResponderExcluirEnquanto isso, o direito possitivo estah em poder agir, participar, interferir (creio q esteja ligado aos direitos politicos)
Walter
Wilsoney: creio que a tua afirmacao suscita um importante debate e, receio que se possa faze-lo a partir de uma espinhosa pergunta: Serah que o Brasil nao teria, talvez, um regime politico, e um conjunto de instituicoes, acima das proprias virtudes e valores democraticos de seu Povo?
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